Caminhoneiro é indiciado após matar motociclista a quase 150 km/h na PR-151
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu a investigação sobre a colisão que resultou na morte de Tommy Rodrigues Beva, de 36 anos, em março deste ano, na PR-151, em Ponta Grossa. O motorista de um caminhão foi indiciado por homicídio qualificado, com dolo eventual, e inovação artificiosa.
O acidente aconteceu no dia 20 de março de 2026, no km 164 da rodovia. Tommy seguia de motocicleta quando foi atingido na traseira por um caminhão-trator Volvo, enquanto passava por um ponto de controle de velocidade. Com o impacto, o motociclista sofreu politraumatismos e perdeu a vida no local.
Durante a investigação, a perícia analisou as marcas de frenagem deixadas pelo caminhão, que se estenderam por aproximadamente 185 metros. Os cálculos indicaram que o veículo trafegava a pelo menos 148,2 km/h no momento em que os freios foram acionados. No trecho, a velocidade máxima permitida era de 60 km/h.
Para a Polícia Civil, as circunstâncias apontaram que a conduta do motorista, de 56 anos, teria ultrapassado uma situação de simples imprudência, caracterizando, em tese, a assunção do risco de provocar a morte. Por isso, ele foi indiciado por homicídio qualificado, na modalidade de dolo eventual, mediante recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
A investigação também identificou uma possível adulteração no sistema de registro do caminhão. Segundo a perícia, o disco do tacógrafo não apresentava registros da movimentação do veículo no período do acidente. Os elementos reunidos apontaram que o equipamento teria sido alterado para dificultar a reconstrução da dinâmica da colisão.
Diante disso, o motorista também foi indiciado por inovação artificiosa, crime previsto no artigo 312 do Código de Trânsito Brasileiro.
Somadas, as penas máximas previstas para os crimes atribuídos ao investigado podem ultrapassar 30 anos de reclusão, caso haja condenação nos termos das imputações.
Durante o inquérito, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva do motorista ou, alternativamente, a utilização de tornozeleira eletrônica. Os pedidos, porém, foram indeferidos pelo Poder Judiciário.
Com a conclusão da investigação, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar o caso e decidir sobre as medidas cabíveis.
O delegado Maurício Souza da Luz, responsável pelo Setor de Crimes de Trânsito da 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, destacou que a investigação buscou esclarecer tecnicamente as circunstâncias da colisão e apurar eventual responsabilidade criminal pela morte.





