Famílias do grupo FNL realizam nova ocupação de terras em Ponta Grossa.
Texto extraído direito das redes sociais do Frente Nacional de Luta Campo Cidade(FNL).
Mais terras nas mãos dos mais pobres!
Famílias lutam pelo direito à terra e moradia em área pública abandonada a mais de 50 anos. O terreno federal foi reivindicado neste domingo, dia 23, pela FNL - Frente Nacional de Luta Campo Cidade. A área tem 6 hectares totalmente abandonados e fica nos fundos do bairro Lagoa Dourada, em Ponta Grossa - PR.
Em maio deste ano, o Ministério Público do Estado do Paraná se manifestou favorável à ocupação. O MP alega não existir crime de esbulho possessório. O documento ainda deixa claro a legitimidade da ocupação, pois o movimento pretende fazer que terreno cumpra com sua função social. A manifestação se refere a tentativa de ocupação realizada por moradores no dia 30 de abril de 2023.
Aproximadamente 40 famílias estão no local que fica próximo de uma linha férrea desativada. Próximo a área, já existem posseiros como a família Matos (chácara matos) e cerca de outras seis famílias. As famílias de sem terra têm como bandeira a reforma agrária e pretendem trabalhar a terra até então improdutiva. Uma horta comunitária será criada para a produzir alimentos saudáveis visando o alimento no prato de quem mais precisa.
O atual governo estadual age como lacaio da elite agrária que desenvolve um processo de hiper concentração de terras nas mãos de poucos. Apenas 1% de proprietários concentram mais da metade das terras no país. Isso que explica o paradoxo que vivemos atualmente, somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas nosso povo amarga a chaga da insegurança alimentar.
Os dados seguem alarmantes, em 2022, mais de 100 milhões de brasileiros sofreram algum grau de insegurança alimentar e mais de 33 milhões de brasileiros passaram fome. Enquanto isso, o agronegócio quebra recordes de lucros produzindo alimentos que não vão para a mesa do povo mas para o exterior. O agronegócio capitalista destrói os bens naturais em um processo que gera acumulo de riqueza na mão daqueles que sempre tiveram muito.
Sabemos que é a agricultura familiar quem alimenta o povo brasileiro. Segundo o IBGE, de 70% dos alimentos consumidos em nossa mesa são produzidos por famílias com pequenas propriedades. Dados de 2017 do IBGE mostram que apenas 23% da área usada para produção agrícola são de agricultura familiar. O restante fica na mão daqueles que apenas visam lucro acima de tudo, lucro acima do bem-estar de nossas famílias, lucro acima da fome.
O povo do Paraná tem um histórico de luta pela reforma agrária. A fundação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST ocorreu em Cascavel, no ano de 1984. Do outro lado, os governantes do Estado sempre defenderam o interesse dos mais ricos, distribuindo áreas públicas para grandes proprietários de terras e expulsando povos indígenas de suas terras.
Assim, propomos à população refletir e apoiar a luta pela Reforma Agrária. Por mais terras nas mãos dos mais pobres!
É preciso defender o direito dos mais pobres à moradia. Defender o direito à terra e trabalho. Defender o direito a vida digna, com comida de qualidade na mesa. É preciso defender a luta da Ocupação Rosa Luxemburgo - Ponta Grossa!
Ponta Grossa, 23 de julho de 2023.
Coordenação FNL
Frente Nacional de Luta Campo e Cidade.
*Pela Reforma Agrária Popular Já!!!!!*


